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Poesias

by Alexandre Herculano

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O Cão Do Louvre

(Delavigne)

Tu que passas, descobre-te! Alli dorme

O forte que morreu.

Dá ao martyr do Louvre algumas flores;

Dá pão ao seu lebreu.

Da batalha era o dia. O canhão troa:
E o livre corre á morte, e juncto delle

O seu cão vai:

A mesma bala ambos feriu: o martyr
Não deploreis: o amigo seu que vive

Só pranteai!

Tristonho, sobre o forte elle se inclina,
Affagando-o e gemendo; e a ver se acorda

Põe-se a latir;

E do seu companheiro no combate
Sobre o cadaver sanguinoso o pranto

Deixa cahir.

Essa gleba guardando onde repousam
As cinzas dos heroes, nada o consola

No seu gemer;

E ao que o ameiga triste repellindo,
«Oh, que não és meu dono!—o cão parece

Tentar dizer.

Quando sobre as grinaldas de perpetuas
O matutino alvor da aurora o orvalho

Faz scintillar,

Os olhos abre vívidos, e pula
Para affagar seu dono, que elle pensa

Ha-de voltar!

Quando da noite a viração as c’roas
Fez ranger sobre a cruz do monumento,

Desanimou:

Elle quizera que seu dono o ouvisse;
E ladra e uiva; mas o adeus de á noite

Lá lhe faltou!

O inverno chega, e a neve, com violencia,
Cái, e branqueia, e esconde esse gelado

Leito de morte:

Ei-lo que sólta um lugubre gemido,
E busca, alli deitando-se, ampara-lo

Do frio norte.

Antes que os membros lhe entorpeça o somno,
Mil tentativas para erguer a campa

Inuteis faz:

Depois comsigo diz, como hontem disse,
—Quando acordar, por certo, ha-de chamar-me.»

Edorme em paz.

Mas, na alta noite, em sonhos vê trincheiras,
E seu dono entre as balas encontradas

Cahir ferido:

E ouve-o que o chama com sibillo usado;
E ergue-se e corre após uma van sombra,

Dando um bramido.

É alli que elle espera horas e horas,
E saudoso murmura: alli pranteia,

E morrerá.

O seu nome qual é? Todos o ignoram.
O que o sabía, o dono seu querido,

Nunca o dirá!..

Tu que passas, descobre-te! Além dorme

O forte que morreu.

Dá ao martyr do Louvre algumas flores,

Eesmola ao seu lebreu.

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