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Poesias

by Alexandre Herculano

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A Rosa

Pura em sua innocencia.
Entre a sarça espinhosa,

Purpurea esplende, inda botão intacto,

Na madrugada a rosa.

É da campina a virgem
A pudibunda flor;

Em seus efluvios matutina brisa

Bebe o primeiro amor.

O sol inunda as veigas:
Calou-se o rouxinol;

E a flor, ebria de gloria, á luz fervente,

Desabrochou-a o sol.

O sôpro matutino
No seio seu pousára:

Prostituida á luz, fugiu-lhe a brisa,

Que a linda rosa amára.

Bella se ostenta um dia;
Saúdam-na as pastoras;

Dão-lhe mil beijos, gorgeando, as aves;

Voam do goso as horas.

Lá vem chegando a noite,
E ella empallideceu:

Incessante prazer mirrou-lhe a seiva;

A rosa emmurcheceu.

Desce o tufão dos montes,
Os matos sacudindo;

Desfallecida a flor desprende as folhas,

Que o vento vai sumindo.

Onde estará a rosa,
Do prado a bella filha?

O tufão, que espalhou seus frageis restos,

Passou: não deixou trilha.

Da sarça a flor virente
Nasceu, gosou, e é morta:

E a qual desses amantes de um momento

Seu fado escuro importa?

Nenhum, nenhum por ella
Gemeu saudoso á tarde;

Não ha quem juncte as derramadas folhas,

Quem amoroso as guarde.

Só da manhan o sôpro,
Passando no outro dia,

Da rosa, que adorou, quando a innocencia

Em seu botão sorria,

Juncto do tronco humilde
O curso demorando,

Veio depositar perdão, saudade,

Queixoso sussurrando.

De quantas és a imagem,
Oh desgraçada flor!

Quantos perdões sobre um sepulchro abjecto

Tem murmurado o amor!

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